Imbassahy é um dos ministros tucanos cujo cargo é reivindicado por partidos do Centrão (Foto: Andressa Anholete/AFP)

A rebeldia do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) contra o Palácio do Planalto deve impôr uma agenda de trabalho intensa durante o feriadão ao presidente Michel Temer (PMDB) e seus aliados. Na quarta-feira (11) ele escalou o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, para conversar com Maia e tentar  conter uma nova crise na base de apoio, às vésperas da votação da segunda denúncia pela Câmara. A ordem é apaziguar de toda forma o clima e neutralizar os efeitos que o desgaste na relação com o demista possam exercer sobre a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário.

Depois que a própria base aliada boicotou a votação da medida provisória que regulamenta os acordos de leniência do Banco Central, tirando Rodrigo Maia do sério, a saída política encontrada para desfazer o mal-estar com o presidente da Câmara foi a confecção de um projeto de lei. A proposta vai recuperar os principais pontos da MP e será apresentada nos próximos dias pela Câmara, em regime de urgência, jogando os holofotes sobre Maia. O governo pretende prestigiar o deputado, que nos últimos dias não tem escondido a contrariedade com Temer.

Na terça-feira por exemplo, Maia disse estar cansado da “falta de respeito” do Planalto com o Legislativo e anunciou que não mais aceitará medidas provisórias até que o Congresso analise a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que regulamenta a tramitação de matérias desse tipo. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), aliado do presidente, foi acionado para se contrapôr e afirmar que a sua Casa não comunga da decisão. Mas a escalada de tensão fez com que Temer enviasse Imbassahy para dialogar com Maia, de quem o ministro é amigo. O governo também se comprometeu com ele a reduzir o número de medidas provisórias.

Mesmo assim, descontentes com o Planalto, deputados aliados transformaram ontem a residência oficial da presidência da Câmara em um “muro de lamentações”. Com a segunda denúncia sendo analisada pela Casa, diversos parlamentares têm procurado Maia para se queixar do governo. Integrantes de partidos do chamado Centrão, especialmente do PR, PP e PSD, dizem que Temer não cumpriu todos os acordos feitos durante a tramitação da primeira denúncia. Cobram a liberação de mais emendas e a saída de Imbassahy da articulação política.

Desde a votação da primeira denúncia, quando metade da bancada do PSDB se rebelou contra o Planalto, o Centrão vem defendendo que os tucanos não podem ocupar quatro ministérios após ter rachado e demonstrado infidelidade ao presidente na votação, e pedem a substituição de ministros do partido, inclusive Imbassahy e o pernambucano Bruno Araújo, das Cidades. O PR, agora, começou a dar sinais mais evidentes de rebeldia, trocando um dos seus integrantes na CCJ, Giovani Cherini (PR-RS), por Alexandre Valle (PR-RJ).

Embora ambos sejam governistas, Valle integra o grupo de parlamentares insatisfeitos com o governo. Na prática, a tendência é que a bancada do PR comece a indicar dificuldades para o governo na CCJ. Uma das estratégias é tentar obstruir o andamento dos trabalhos. “Eu não acredito que haverá instabilidade”, afirmou o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Nos bastidores, deputados do PMDB comentam que não há intenção de desembarque de partidos da base, embora todos aproveitem o momento para criar um “clima de caos” e apresentar uma fatura mais alta para a permanência de Temer na Presidência.

*Com agências