Formatura de PMs: governador intensifica ações de visibilidade ligadas à área da segurança (Foto: Wagner Ramos/Divulgação)

Esta semana rompeu-se a barreira cronológica de um ano para as eleições de 2018. E o recado foi dado pelo governador Paulo Câmara (PSB) à toda sua equipe, em reunião no sábado passado: a ordem é massificar a divulgação das ações positivas e “reparar” os arranhões em alguns setores, com ênfase absoluta na segurança pública. Nesta quinta-feira (12), Câmara reuniu a equipe responsável pela área para um monitoramento dos trabalhos, de onde devem sair novas recomendações e mais um pedido de atenção redobrada. Afinal, a chave da campanha pela reeleição já foi acionada.

Nesta quarta-feira (11), véspera da reunião de monitoramento, o secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua, recebeu do presidente da seccional pernambucana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE), Ronnie Duarte, um diagnóstico produzido pela Comissão de Segurança Pública da entidade com uma análise objetiva e detalhada do cenário. O documento é amarrado com dez sugestões que visam a aplacar os altos índices de violência no Estado. Entre elas, uma que o governo prefere que não se fale em voz alta, embora saiba ser necessária: a imediata revisão do programa Pacto pela Vida. A OAB sugere ainda a criação de canais permanentes de diálogo com a sociedade civil, melhoria na relação com as polícias e o restabelecimento da mesa permanente de negociação entre o governo e os órgãos de segurança pública.

Antônio de Pádua e Ronnie Duarte: relatório com sugestões objetivas para a segurança (Foto: OAB/Divulgação)

Um novo sinal de que a área será tratada com excepcional cautela foi dado no início da semana, quando o governo distribuiu nota revelando preocupação com informações que circularam nas redes sociais afirmando que as aposentadorias de policiais estariam reduzindo o contingente das tropas. O Palácio cuidou de rebater a notícia com números, fazendo as contas de quantos novos policiais o governo Paulo Câmara colocou nas ruas desde 2016. Ao todo, assegura o texto, foram 3.822 novos servidores, com perspectiva de chegar a 4.500 homens e mulheres em 2018, ano da eleição.

Isolada, a notícia parece apenas uma reação às críticas de internautas. Mas na verdade, ela integra uma escalada de ações na área de segurança, deflagradas há algum tempo, numa clara mudança de atitude por parte da equipe que cuida da imagem do governador-candidato. Sem tirar os olhos dos gráficos que mostram a oscilação dos índices de violência, após a substituição do titular da Defesa Social, Ângelo Gioia, por Antônio de Pádua o governo lançou-se à divulgação maciça de notícias positivas, inclusive com a aparição do próprio Paulo Câmara em eventos, como o que marcou a formatura de novos praças da PM, no Quartel do Derby, há cerca de um mês.

A cerimônia aconteceu um dia após o apelo da bancada de oposição – em tom igualmente eleitoral – para que o governador convocasse a Força Nacional de Segurança como apoio no combate à violência crescente. O apelo foi descartado de pronto, com Paulo Câmara chamando para si a responsabilidade e evitando o “recado cifrado” ao eleitor, idealizado pela oposição, de que não ele teria força suficiente para lidar com o tema sozinho.

Outros eventos públicos se sucederam, tendo sempre como pano de fundo o reforço à área de segurança pública, com o aumento do contingente policial, entrega de novas viaturas, equipamentos e melhoria da infraestrutura das forças. Curioso é que, embora Pernambuco tenha sido apontado recentemente como campeão de crescimento na área da educação pública no país, o tema chega a ser menos explorado na área do marketing governamental que as ações de combate à violência.

Com todos esses sinais, e a oposição se movimentando, de dedo em riste na ferida aberta, não é difícil imaginar que o tema segurança pública permanecerá até outubro de 2018 em primeiro lugar na ordem do dia dos auxiliares, publicitários e integrantes da base aliada do governo Paulo Câmara.