Governo americano aponta viés anti-israelense da entidade e critica reconhecimento do Estado Palestino (Foto: Unesco/Divulgação)

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (12), em Washington, a decisão oficial de se retirar da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 2018, ficando apenas com uma missão permanente na entidade, como país “observador”. A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Heather Nauert, anunciou a posição e avisou que a diretoria-geral da Unesco havia sido notificada. “Não foi uma decisão fácil e reflete as preocupações dos EUA com pagamentos em atraso na Unesco, a necessidade de reformas fundamentais na organização e a continuidade do viés anti-Israel na Unesco”, informou o comunicado.

Os EUA reduziram substancialmente suas contribuições em dinheiro para a Unesco em 2011, em protesto contra a decisão de permitir o ingresso pleno dos palestinos na entidade. Na época, o financiamento norte-americano equivalia a pouco mais de 20% das verbas totais da Unesco, a primeira agência da ONU em que os palestinos buscaram integração como membro total. EUA, Canadá e Alemanha votaram contra o ingresso dos palestinos. Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul e França, entre outros, votaram a favor. O Reino Unido se absteve.

Pelo Twitter, a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, disse lamentar profundamente a saída dos Estados Unidos do organismo. Segundo ela, a retirada é uma perda para a “família das Nações Unidas” e para o multilateralismo. “No momento em que a luta contra o extremismo violento exige um renovado investimento na educação, no diálogo entre as culturas para evitar o ódio, é profundamente lamentável que os Estados Unidos se retirem da agência das Nações Unidas que lidera essas questões”, disse Irina em comunicado oficial.

Monte do Templo

No ano passado, Israel anunciou a suspensão de sua cooperação com a Unesco, um dia depois de uma votação criticada pelos israelenses sobre um local sagrado de Jerusalém. Do ponto de vista do país, a decisão seria uma negação do vínculo milenar entre os judeus e a cidade. Na resolução aprovada pelos estados membros da Unesco, Israel foi criticada por restringir o acesso a um local reverenciado por judeus e muçulmanos, conhecido como Monte do Templo, como al-Aqsa ou como Haram al-Sharif. Jerusalém Oriental é a parte palestina de Jerusalém ocupada desde 1967 por Israel, e anexada posteriormente, e que os palestinos aspiram a tornar a capital de seu futuro Estado.

*Com agências