Corrupção (Foto: Reprodução/Internet)

Dados foram coletados no auge da Operação Lava Jato e durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (Foto: Reprodução/Internet)

O Barômetro Global da Corrupção, da Transparência Internacional, divulgado nesta segunda-feira (09), referente à América Latina e Caribe, indica que para 78% dos brasileiros a percepção de corrupção aumentou consideravelmente ou muito nos últimos 12 meses no País. Para 14% da população “ficou o mesmo” e para 6% reduziu consideravelmente ou muito. 2% não souberam responder. Os dados foram coletados em maio e junho de 2016, quando a Operação Lava Jato estava no seu auge.

No Brasil, 1.204 pessoas foram entrevistadas no período entre 21 de maio de 2016 e 10 de junho de 2016 – dias após o afastamento de Dilma Rousseff (PT) da Presidência da República no processo de impeachment e, consequentemente, assunção do presidente Michel Temer (PMDB). “A coincidência do período de entrevistas com o momento de fortes turbulências na política nacional e mobilização popular nas ruas pode, sim, ter influenciado nas respostas dos brasileiros”, diz Bruno Brandão, representante no Brasil da ONG Transparência Internacional.

O levantamento mostra, ainda, que 83% dos brasileiros consultados “acreditam que pessoas comuns podem fazer a diferença na luta contra a corrupção”. É a maior taxa da região (Costa Rica e Paraguai vêm em seguida, com 82%). “A pesquisa que publicamos hoje reforça o entendimento de que o combate vigoroso que o Brasil está dando à corrupção não pode ser compreendido apenas pelo avanço institucional e a ação de setores do Ministério Público, Polícia e Judiciário, mas também pelo amplo respaldo da sociedade brasileira a esta causa”, afirma Brandão.

O brasileiro é um dos que mais acredita ser socialmente aceitável denunciar casos de corrupção (Costa Rica 75%, Brasil 74%, Guatemala e Uruguai 71%) e 81% dos entrevistados no país responderam que, se testemunhassem um ato de corrupção, se sentiriam pessoalmente obrigados a denunciá-la – esta taxa só é maior no Uruguai (83%) e na Costa Rica (82%).

No que diz respeito às experiências com pagamentos de propina para ter acesso a serviços públicos, os brasileiros tiveram a menor taxa na região, com exceção dos residentes de Trinidad e Tobago: apenas 11% dos entrevistados no Brasil disseram ter pagado propina para acessar serviços de saúde, educação, saneamento, polícia, justiça ou emissão de documentos (contra 6% dos residentes em Trinidad e Tobago). Na outra ponta, estão México (51%) e Peru (39%).

A pesquisa foi realizada com 22.302 pessoas residentes em 20 países da América Latina e do Caribe e conclui que os governos da região estão falhando em atender às demandas da população no combate à corrupção.

* Com agências