Sílvio Costa

Costa é pré-candidato ao Senado e defensor da retomada na aliança entre PT e PTB (Foto: Agência Câmara)

Por Aline Moura

Ferrenho adversário do PSB em Pernambuco, o deputado federal Silvio Costa (Avante) fez uma dura crítica, nesta quarta-feira (13), à possibilidade de reaproximação entre PSB e PT, hipótese que se fortaleceu desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva veio ao Recife no mês passado. Na ocasião, o petista marcou um jantar com Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos (PSB), e o encontro foi prestigiado pelo governador Paulo Câmara e o prefeito Geraldo Julio, ambos socialistas. Segundo Silvio, entre os partidos que faziam parte da base aliada da então presidente Dilma Rousseff (PT), que sofreu impeachment em 2016, o PSB foi “o maior traidor”.

“O maior traidor da ex-presidente Dilma, na sua base parlamentar da Câmara, foi o PSB. O impeachment precisava de 342 votos dos 513 deputados. Foram 137 votos contra o impeachment, duas ausências e sete abstenções, num total de 146. Naquela ocasião, o PSB tinha uma bancada de 31 deputados. Se todos tivessem votado contra o golpe, a ex-presidente chegaria a 177 votos, e não teria sido derrubada”, criticou. “Então, o PSB juntou-se aos golpistas”, acrescentou, fazendo o mesmo discurso do presidente estadual petista, Bruno Ribeiro.

Silvio Costa é pré-candidato ao Senado e defensor da retomada na aliança entre PT e PTB, este último comandado pelo senador Armando Monteiro Neto (PTB). As duas siglas se afastaram, principalmente, após votação da reforma trabalhista, quando Armando votou a favor, mas Silvio tem dito que a defesa dessa reforma sempre foi posição de Armando, de maneira que ele nunca mudou de lado, ao contrário do PSB.

Segundo Silvio Costa, Paulo Câmara já admitiu que uma vaga do Senado é de Jarbas Vasconcelos (PMDB), que foi um dos maiores críticos do PT. “Custa-me acreditar que a maioria esmagadora dos filiados ao PT admita este tipo de acordo político. Isso é uma afronta. Imaginem um palanque com Jarbas, o PT e o PSB? A aliança do PT com o PSB é um escárnio.”

Apesar das declarações de Silvio, o governador Paulo Câmara e o prefeito Geraldo Julio não defendem abertamente a retomada da aliança com o PT. O vice-governador Raul Henry (PMDB) frisa que a reunião que Paulo teve com o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad foi uma cortesia de ambos, num momento em que o Brasil passa por uma radicalização política muito grande.

* Repórter da editoria de Política do DIARIO