Voto do relator Edson Fachin em favor de Janot foi acompanhado pela maioria dos ministros (Foto:Valter Campanato/ABr)

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou, na tarde desta quarta-feira (13), o pedido feito pela defesa do presidente Michel Temer (PMDB) para que seja declarada a suspeição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para atuar em investigações relacionadas ao presidente, iniciadas a partir das delações da JBS. Os sete votos contrários ao pedido de suspeição, já proferidos conferem maioria e não há mais como reverter o placar. Inclusive porque um dos críticos de Janot, o ministro Gilmar Mendes não participa da sessão por estar viajando. O julgamento continuará para a colheita dos demais votos.

Os ministros que já votaram seguiram o parecer do relator do caso, ministro Edson Fachin, que negou o mesmo pedido antes de o recurso chegar ao plenário. No voto proferido no início da sessão, Fachin disse não há indícios de Janot atuou de forma imparcial e com “inimizade” em relação a Temer. Segundo o relator, declarações do procurador à imprensa não podem ser consideradas como causa de suspeição. Na ação, a defesa de Temer também cita uma palestra na qual Janot disse que, “enquanto houver bambu, lá vai flecha”, fazendo referência ao processo de investigação contra o presidente.

Votaram com o relator sete dos 11 ministros: Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli. Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello. Celso de Mello começou agora sua justificativa. Após seu voto, restará apenas a presidente Cármen Lúcia para votar. O ministro Luís Roberto Barroso – da mesma forma que Gilmar Mendes – não participa da sessão.

No início do julgamento, a defesa do presidente Temer voltou a afirmar que Janot agiu de forma parcial nas investigações envolvendo o presidente. Ao subir à tribuna da Corte, o advogado Antônio Claudio Mariz, representante de Temer, disse que a prisão dos empresários Joesley e Wesley Batista, em cujas delações foram baseadas as acusações, podem indicar que Janot não teve os devidos cuidados na investigação.

*Com agências