(Foto: Jeferson Rudy/Ag. Senado)

Bezerra Coelho rechaçou diversas vezes a pecha de traidor (Foto: Jeferson Rudy/Ag. Senado)

Após ser duramente criticado, o senador Fernando Bezerra Coelho (PMDB) prometeu que responderia ao correligionário deputado federal Jarbas Vasconcelos nesta quarta-feira (13) na tribuna do Senado, mesma ferramenta utilizada por ele no dia anterior, mas em Casas diferentes. Em um discurso de 11 minutos, em tom ácido, Bezerra Coelho criticou o correligionário, atacou o governador Paulo Câmara (PSB) e enalteceu o presidente Michel Temer (PMDB), reforçando o aceno a direção nacional peemedebista, que estava reunida naquele momento para resolver, entre outras coisas, a situação de Pernambuco.

O ex-socialista começou o discurso rechaçando as críticas de Jarbas, que estariam tentando “confundir com meias verdade, numa tentativa vã, de denegrir” a trajetória política dele. Reiterou que foi convidado a retornar às hostes peemedebistas pela direção nacional do partido, após 19 anos, e que seria oposição ao atual governo estadual, do qual o PMDB é o principal aliado, com o vice Raul Henry, presidente estadual da sigla, e outras secretarias.

Após dizer que jamais traiu seus compromissos ou fez política agredindo quem quer que fosse, o senador chamou Jarbas de verborrágico e cínico. “Fácil falar de barganhas políticas a nível federal com o objetivo de atingir as pessoas. Mas não reconhecer as mesmas barganhas a nível estadual é uma tremenda incoerência ou cinismo. Será que são as secretarias e órgãos estaduais que explicam a flexibilidade do deputado Jarbas Vasconcelos em aceitar alianças políticas que até as eleições passadas condenava?”, fustigou FBC. “Não quero julgar, o deputado tem direito de rever suas posições, mas a boa educação política exige que se respeite o posicionamento dos outros.”

“Erros administrativos e, sobretudo, políticos, vêm se acumulando em Pernambuco. Não tenho receio dos embates que haveremos de enfrentar. Fiz a opção de dar consequência ao voto a favor do impeachment, apoiando verdadeiramente o governo de transição do presidente Michel Temer. Não tenho duas caras ou posição dúbia”, declarou o ex-ministro do governo Dilma Rousseff.

Bezerra Coelho reiterou que levará o PMDB a oposição. “Estou pronto para uma nova caminhada. Não será fácil. Não me faltará animo e disposição. Acredito que seremos capazes de construir uma grande frente política. Acredito que o PMDB estará pronto para liderar esse novo projeto. Acredito nos pernambucanos e estou certo que haveremos de construir um novo tempo”, avisou.

Assista ao vídeo do discurso de FBC

Sem mencionar trocas de partidos ou de palanques, Bezerra Coelho destacou que “de 1982 até aqui, servi ao meu estado como deputado estadual, federal por duas vezes, três vezes prefeito de Petrolina, e hoje, senador”. Ele iniciou no PDS, partido aliado do regime militar e oposto ao MDB, de Jarbas. Após a redemocratização, migrou para o PMDB, pelo qual foi eleito deputado federal constituinte.

Em 1998, disputou o cargo de vice-governador na chapa encabeçada por Miguel Arraes (PSB), derrotada por Jarbas. Após o revés, foi para o PPS e elegeu-se prefeito de Petrolina. Em 2006, reeleito e já no PSB, apoiou a candidatura a governador de Eduardo Campos (PSB), de quem se tornaria secretário estadual. Em 2011, assumiu o Ministério da Integração Nacional do governo Dilma, com quem rompeu junto ao PSB, quando Campos lançou candidatura ao Palácio do Planalto. “Difícil contestar tamanha coerência na cena política pernambucana”, disse.