Indicação de Marun, integrante da tropa de choque de Temer, provocou revolta na CPMI (Foto: Sérgio Lima/poder 360)

O líder do PMDB no Senado, Raimundo Lira (PB), indicou nesta quarta-feira (13) sete senadores para as dez vagas que o partido tem direito na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS. O PMDB é o último partido a fazer essas indicações. Lira admitiu “dificuldade” em definir os nomes já que dez senadores peemedebistas receberam doações de campanha da empresa de frigoríficos dos delatores Joesley e Wesley Batista nas últimas eleições, de um total de 23 que compõem a bancada. “Os senadores que receberam doação da JBS se sentem constrangidos, não pela CPI em si, mas pelo objeto da comissão. Na realidade, o constrangimento é porque a empresa hoje tem um perfil diferente. Temos dez senadores que receberam doação da JBS, de 23 senadores da bancada”, explicou.

De acordo com Lira, a JBS era um ícone nacional e internacional, e na época da campanha não tinha motivos para que os candidatos não recebessem doações. “Agora, hoje a visão da empresa é diferente”, complementou. Os indicados pelo líder para vagas de titulares são: João Alberto Souza (PMDB-MA), Airton Sandoval (PMDB-SP) e Hélio José (PMDB-DF). Para as vagas de suplentes, Lira sugeriu os seguintes parlamentares: Romero Jucá (PMDB-RR), Simone Tebet (PMDB-MS), Elmano Ferrer (PMDB-PI), Dário Berger (PMDB-SC).

Dos indicados até o momento, os suplentes Tebet e Berger têm registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre suas receitas de campanha, valores doados pela empresa JBS. Lira explicou ainda que consultou 18 senadores do partido para saber quais teriam interesse de participar da comissão. O líder peemedebista admitiu que não usou as doações como critério de seleção dos indicados. Deixou para os parlamentares dizerem se estavam à vontade ou não para ocupar essas vagas. “Não queria ter o risco de indicar e as pessoas pedirem desligamento da CPI”, argumentou.

O senador peemedebista negou também ter recebido qualquer orientação do Palácio do Planalto para definir os nomes do partido, mas admitiu que não vê problema caso o governo queria sugerir alguma mudança na composição da legenda na comissão. Até o fim desta quarta-feira, o líder deve indicar ao menos mais um nome para vaga de titular na CPMI.

O envolvimento do governo já provocou a primeira polêmica nesta terça-feira (12), com a escolha do deputado Carlos Marun (PMDB-MS) como relator. Ele é integrante da tropa de choque do presidente Michel Temer (PMDB) no Congresso, e a indicação foi articulada pelo Planalto, que queria alguém alinhado ao governo no cargo. Marun é um dos que receberam da JBS. Ao todo, foram R$ 103 mil doados para a campanha que o elegeu em 2014.

Questionado, o deputado disse não ver constrangimento em ser relator de uma CPMI que tem como um dos objetivos investigar os termos do acordo de colaboração que a empresa firmou com o Ministério Público Federal (MPF). A escolha, porém, provocou a saída de ao menos dois senadores do colegiado. Sob protestos e acusando a comissão de “farsa”, Ricardo Ferraço (PSDB-ES) e Otto Alencar (PSD-BA) desistiram de integrar a CPI.

Do Estadão Conteúdo