Raul Henry e Kaio Maniçoba na reunião da executiva: defesa do PMDB estadual e novo ataque a Bezerra Coelho (Foto: Reprodução/Instagram PMDB)

Embora o senador Fernando Bezerra Coelho (ex-PSB) insista que não adotou a estratégia de “tomar” o comando do PMDB estadual, os fatos indicam o inverso. Na reunião da executiva nacional realizada nesta quarta-feira (13), em Brasília, para tratar do assunto, foi revelado que o autor do pedido de dissolução do diretório do partido em Pernambuco – que visa afastar o deputado Jarbas Vasconcelos e seu grupo do comando – foi apresentado por Orlando Tolentino Júnior, assessor do prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (PSB), filho do senador. “O processo é tão indigno que, apesar de o PMDB ter 160 vereadores e várias lideranças de peso no Estado, nenhum deles assinou esse pedido. Foram buscar um cupincha dos Coelho. Todos estão indignados com o que Fernando (Bezerra Coelho) está fazendo”, disparou o presidente estadual da sigla, vice-governador Raul Henry, ao sair da reunião.

Ainda assim, o presidente nacional do partido, senador Romero Jucá (RR), deflagrou o processo de dissolução, indicando o deputado federal Baleia Rossi – nome da cozinha do presidente Michel Temer (PMDB) – como relator. Mas Raul Henry se disse otimista quanto à vitória do seu grupo, sobretudo, segundo ele, diante das manifestações de absoluta solidariedade recebidas. “Além de mim, foram sete dirigentes da executiva nacional a discursar. Quatro deles pediram a Jucá o arquivamento do processo, e outros três defenderam a conciliação. Ninguém falou em favor de Fernando”, contou o vice-governador.

Ao apresentar o pedido de dissolução do diretório estadual, Tolentino Júnior argumentou “insuficiência de desempenho eleitoral” do partido em Pernambuco. Ao que foi prontamente rebatido por Henry: “Temos um levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo logo após a eleição de 2016 que mostra o desempenho dos partidos, e revela que, em Pernambuco, o PMDB teve o melhor resultado do País, com 128% de crescimento. Então, o argumento desse pedido é uma fraude”, afirmou.

Ao discursar na reunião, o vice-governador lembrou a história do MDB desde 1966, passando pela resistência à ditadura militar, a formação do PMDB e a organicidade e unidade do partido em Pernambuco até hoje. Tudo isso permeado pela história do ex-governador e deputado federal Jarbas Vasconcelos, principal líder peemedebista local, que não participou da reunião. De Pernambuco, apenas Henry e o deputado federal Kaio Maniçoba estiveram presentes.

Segundo Raul Henry, o clima na reunião tornou-se “constrangedor” para Romero Jucá, que logo após o encontro foi ao plenário do Senado prestigiar o discurso de Fernando Bezerra Coelho em resposta às críticas feitas por Jarbas na tribuna da Câmara. “Foi uma saia justa. E pelo clima que vi, não acho que vai haver dissolução. Baleia Rossi disse que vai conversar com todo mundo, inclusive com Jarbas, antes de se manifestar”, contou Henry, informando que não há prazo definido para a entrega do relatório. “Todos se manifestaram em nosso favor. Vamos ganhar. Não trabalho com outra hipótese”, disse, otimista, admitindo, porém, que diante de um resultado desfavorável, vai partir para a judicialização do processo.

Raul Henry, no entanto, não quis adiantar como ficará a situação de Bezerra Coelho no partido, no caso de arquivamento do pedido de dissolução. Na reunião do diretório estadual, na última terça-feira (12), no Recife, houve quem defendesse a expulsão sumária do senador. “Nós estamos aqui nos defendendo, e não atacando. Quem está agredindo é ele (Bezerra Coelho), mas não faremos o mesmo. Não pensamos em expulsar ninguém. Ele fica em Brasília, cumprindo o mandato dele no Senado, no PMDB mesmo, junto com Romero Jucá”, ironizou, sem deixar de alfinetar o senador: “Não sei por que Fernando age dessa forma. Mas ele vai pagar um preço político altíssimo, porque a sociedade está indignada e cansada de traidores. É ela quem vai julgar, não nós”, concluiu.