Haddad na Unicap (Foto: Marcelo Montanini/Blog do Diario)

Haddad fez palestra na Unicap nesta sexta-feira (Foto: Marcelo Montanini/Blog do Diario)

Ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou, nesta sexta-feira (11), em palestra no Recife, que o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) é fruto da irresponsabilidade de candidatos tucanos em 2010 e 2014 e o comparou ao deputado federal e palhaço Tiririca (PR-SP). O petista disse também que o prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) precisa baixar o tom.

Segundo o petista, o PSDB por falta de argumento para contestar os êxitos socioeconômicos dos governos do PT, abriu um caminho perigoso, impondo uma agenda de recrudescimento da intolerância, como a discussão sobre aborto, em 2010, e maioridade penal, em 2014, como exemplos.

“Bolsonaro é resultado dessa agenda obscurantista, que ele não teria menor força de impor como personagem individual. Porque ele não é ninguém. Vejam os riscos que se corre de uma figura medíocre que encontrou uma avenida para caminhar”, declarou em palestra na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Bolsonaro é folclórico, tido como um Tiririca piorado, pois Tiririca é um deputado sério e mais propositivo do que ele. Veja a produtividade dele [Bolsonaro] no Congresso”, acrescentou.

Para Haddad, seria uma piada se não fossem as pesquisas de opinião. Bolsonaro, que está em processo de filiação ao PEN, figurou em segundo lugar na pesquisa Datafolha, divulgada em junho, com 16%, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 30%.

Doria
Antes da segunda palestra na capital pernambucana, esta na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Haddad disse que, apesar de não compactuar com violência, a agressão sofrida pelo sucessor, prefeito João Dória (PSDB-SP), que recebeu uma ovada em Salvador (BA), foi fruto do tensionamento que o tucano criou. “Ele [Doria] precisa baixar o tom, discutir projetos, não ficar se ofendendo”, ponderou.

Segundo o petista, Doria está tendo muito trabalho tentando desfazer o trabalho que ele havia feito na prefeitura de São Paulo. “Isso está tendo resistência”, disse.

Assim como Bolsonaro e Dória, Haddad figura como alternativa do PT, caso Lula não possa se candidatar à Presidência da República em 2018. A visita dele ao Recife é parte de uma estratégia do partido de defesa do legado e manutenção do reduto eleitoral. Lula inicia uma caravana pela região no próximo dia 17.