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Fernando Haddad diz não aprovar chuva de ovos contra Dória, mas avalia que prefeito estimula clima agressivo (Foto: Peu Ricardo/DP)

Pouco antes de proferir uma palestra na Universidade Católica, no Recife, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) foi questionado sobre as chances concretas de reconstrução de uma aliança entre o PT e o PSB para 2018, sobretudo no plano nacional. Ele lembrou que, historicamente, os socialistas, assim como os petistas, sempre estiveram ao lado da população, buscando alargar direitos e promover programas progressistas. No entanto, disse enxergar uma divisão interna no PSB capaz de impedir qualquer reaproximação. “O PSB, hoje, não é um partido só. Tem uma parte que apoia Michel Temer e um PSB saudoso dos tempos de Lula, que é progressista, que pensa no desenvolvimento. Agora, qual deles vai prevalecer, é prematuro afirmar”, explicou.

Sobre as especulações de que poderia encabeçar uma eventual chapa presidencial do PT tendo como vice o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), Fernando Haddad desconversou novamente. Seu nome tem sido citado como “plano B” do PT caso o ex-presidente Lula seja condenado em segunda instância na Justiça e fique impedido de concorrer. “Não estou conversando sobre essa questão de candidatura. Lula será o nosso candidato”, despistou. Inicialmente estava previsto um almoço nesta sexta-feira de Haddad com Paulo Câmara, no Palácio do Campo das Princesas, que não ocorreu. Seria mais uma faguçha a alimentar a fogueira de especulações sobre uma possível aliança. As informações, no entanto, são de que o encontro teria sido agendado para este sábado, como último compromisso da agenda do ex-ministro antes de retornar a São Paulo.

Haddad reforçou os elogios ao segmento do PSB que aponta como progressista, no qual inclui Paulo Câmara. “Fiz muitas parcerias com o PSB quando estive no Ministério da Educação. Veja, por exemplo, a expansão de escolas técnicas pelo Nordeste, a construção de creches, a implantação do Fundeb para os professores. Tudo isso ajudou a recuperar a autoestima do Nordeste. E o Nordeste respondeu a isso”, completou. Na época em que ele foi ministro de Lula, o governador de Pernambuco era Eduardo Campos (PSB) e Paulo, seu secretário.

Chuva de ovos

Ao analisar o desempenho do seu sucessor na Prefeitura de São Paulo, o empresário João Dória (PSDB), Fernando Haddad disse que “a gestão Dória nem aconteceu ainda”, portanto, seria difícil responder.  No entanto, condenou a postura do prefeito de “hostilizar” ciclistas, grafiteiros e “agredir” petistas em geral. “Isso não está produzindo os melhores resultados para ele. Homens públicos não têm direito de perder a paciência. Homens públicos têm que ter compostura”, recomendou.

Haddad criticou, particularmente, o fato de o prefeito tucano ter chamado de “anta” a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). “Ontem (quinta-feira) o Eduardo Suplicy conversou com ele (Dória) no programa dele, o ‘Olho no olho’, e perguntou: se ele achava certo chamar uma mulher de anta. Isso não colabora com o espírito público, com a conciliação. A gente tem que baixar o tom, discutir projetos, não ficar se ofendendo”, acrescentou.

Quanto à agressão sofrida pelo próprio João Dória, atingido por uma chuva de ovos jogados por manifestantes esta semana, Fernando Haddad disse desaprovar, mas avalia que é resultado do clima acirrado estimulado pelo próprio tucano em São Paulo. “Eu não justifico violência. Apesar de aquilo não ofender a integridade de ninguém, foi um constrangimento, foi desagradável. Mas também não se deve ficar criando confrontos, porque aí fica difícil controlar seis milhões de habitantes (referência à cidade de São Paulo). Afinal, o que se espera de um homem público? Protocolo, compostura”, concluiu.

* Com informação de Marcelo Montanini

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