Janot (Foto: Reprodução)

Mandato de Janot à frente da PGR vai até 17 de setembro (Foto: Wilson Center/Reprodução)

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou, nesta segunda-feira (17), em Washington, nos Estados Unidos, que o Ministério Público Federal não tem pressa para apresentar uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB). O mandato de Janot à frente da PGR termina em 17 de setembro e, até lá, o Palácio do Planalto está de sobreaviso. Uma nova denúncia pode ampliar ainda mais a instabilidade do governo Temer, que já trabalha para evitar mais desgastes.

“O MP não tem pressa e nem retarda denúncia. Existem investigações em curso e essas investigações, uma está mais adiantada que outra, e se até o dia 15 de setembro, último dia útil do meu mandato, eu obtiver esse quadro definido, eu não posso deixar de fazer isso [apresentar a denúncia], sob pena de prevaricar, de não praticar meu ato de ofício”, afirmou o procurador-geral.

Além disso, Janot ressaltou que o Ministério Público não trabalha com a necessidade de “oferecer denúncia”, e sim a de “apurar” os fatos. “Nós não temos a necessidade de oferecer uma denúncia, eu tenho a necessidade de apurar. Eu tenho necessidade de apurar e, convencido de que o fato é típico, e convencido da materialidade do crime e definida a autoria, aí sim partiremos para a fase do processo penal”, disse.

Questionado sobre uma possível rejeição da denúncia contra Temer pela Câmara dos Deputados, Janot afirmou que vai aceitar com a “maior naturalidade possível”. “Cada um faz o seu trabalho. Eu não vou insistir nessa denúncia porque tecnicamente não tem como insistir. Não autorizou, ela vai ficar suspensa.”

No final de junho, o procurador-geral apresentou uma denúncia contra o presidente por corrupção passiva, com base nas delações premiadas de executivos da J&F, controladora do grupo JBS. Nos bastidores, há a expectativa de que ao menos duas novas denúncias sejam apresentadas pela PGR contra o peemedebista.

Diante dessa possibilidade, Michel Temer organiza nova ofensiva de comunicação contra Janot com o objetivo de esvaziar eventual nova denúncia. A própria celeridade na aprovação de Raquel Dodge se trata de uma estratégia para desgastar o atual procurador-geral. A ideia, agora, é colar a pecha em Janot de que ele seria um “opositor” e estaria “perseguindo” o governo.

Jogo político

O troca-troca de parlamentares CCJ que garantiu a Temer uma vitória contra a denúncia por corrupção foi visto por Rodrigo Janot como parte do “jogo político”. Com 25 movimentações na CCJ desde junho, sendo 14 mudanças apenas em vagas titulares, o Planalto fulminou a denúncia de Janot na Comissão.

Em missão oficial nos Estados Unidos, Janot afirmou que “esse tipo de manobra, sem fazer juízo de valor sobre ele, é um juízo que ocorre no processo político, Se houve ou não obstrução de Justiça, eu não posso dizer agora, está muito prematuro. Nós temos que olhar assim. As substituições foram feitas, porque elas poderiam ter sido feitas. Agora, houve alguma predestinação do interesse público? Não sei, então, não tenho condição de dizer agora se houve obstrução ou se não houve obstrução”, afirmou.

*Com agências