Renata Campos PSB

Discreta, Renata Campos participa das discussões internas no PSB, mas não manifesta interesse em disputar mandato (Foto: Arquivo)

“Esqueceram de combinar com os russos”. A expressão foi usada, em reserva, por um integrante do núcleo socialista próximo da ex-primeira-dama Renata Campos – viúva do ex-governador Eduardo Campos – ao comentar, nesta segunda-feira (17), as especulações sobre uma possível chapa presidencial encabeçada pelo PSDB, tendo Renata como representante do PSB na vaga de vice. Para alguns socialistas de Pernambuco – que disputa a hegemonia no partido com o grupo liderado pelo vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB) – a notícia, publicada na Coluna do Estadão desta segunda-feira (17), seria mais uma “perua” da ala paulista visando a tumultuar o processo de sucessão interna do partido.

Embora tenha o nome citado de forma recorrente como alternativa do PSB para disputas eleitorais, Renata Campos mantém o estilo discreto e evita comentar especulações dessa natureza, Porém, segundo atestam socialistas próximos à ex-primeira-dama, ela jamais se colocou internamente como opção. O que não significa que esteja afastada da vida partidária. Com frequência ela é consultada sobre assuntos internos do PSB, mas nunca manifestou desejo pessoal de concorrer a um mandato eletivo. Suas atenções permanecem focadas na candidatura do filho, João Campos, à Câmara Federal, complementa outro aliado.

Disputa ou consenso

Com a eleição da nova direção nacional do partido marcada para outubro próximo, o atual presidente Carlos Siqueira – muito ligado a Renata Campos – tentará a reeleição, mas tem pela frente o próprio Márcio França, que não esconde a ambição pelo cargo, visto como estratégico para consolidar seu projeto político de montar uma aliança formal com os tucanos em 2018. Com a perspectiva de o governador Geraldo Alckmin (PSDB) se desincompatibilizar para disputar o Palácio do Planalto ou o Senado, França assumiria o governo de São Paulo em abril de 2018, e concorreria à reeleição em outubro para mais quatro anos.

O vice-governador tem se articulado nesse sentido, inclusive costurando apoio entre os pernambucanos. Já tem ao seu lado o grupo do senador Fernando Bezerra Coelho e do ministro de Minas e Energia Fernando Bezerra Filho. Em paralelo, os paulistas tentam construir uma saída consensual para a direção nacional. Poderia ser uma chapa composta por França e Siqueira. O primeiro assumiria a presidência do partido e, assim que consolidasse a chapa presidencial PSDB-PSB, renunciaria em favor de Siqueira, que então retornaria ao comando da sigla. Procurado, o presidente não comentou o assunto.

Todo esse debate, na avaliação de um integrante da cúpula ligado aos pernambucanos, só contribui para prejudicar o PSB, sobretudo diante das muitas incertezas impostas pelo atual cenário político no Brasil. Sem falar que, ao contrário de uma dobradinha com o PSDB – defendida pelos paulistas – a ala pernambucana quer distancia dos tucanos. As legendas estiveram muito próximas em 2014, quando o PSB apoiou a candidatura de Aécio Neves (PSDB) no segundo turno das eleições presidenciais, mas hoje, de acordo com socialistas locais, as duas têm posições distintas, e o recall da aliança com Aécio seria mais um fator de desgaste.