Rodrigo Janot participou de debate neste sábado no Congresso da Abraji (Foto: Folhapress)

Rodrigo Janot participou de debate neste sábado no Congresso da Abraji (Foto: Folhapress)

Com trocadilho, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou, neste sábado (1º), durante o Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que seria preciso uma “prova satânica” para selar definitivamente a ligação entre o presidente Michel Temer (PMDB) e a mala com R$ 500 mil carregada por seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), solto neste sábado. A declaração foi uma resposta à crítica de que a denúncia oferecida por ele ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra Temer seria frágil – faltaria “prova cabal” para associar o presidente ao dinheiro. E ainda mandou recado: “Enquanto houver bambu, lá vai flecha. Até o 17 de setembro, a caneta está na minha mão. Vou continuar nesse ritmo.”

O procurador afirmou que o problema é que ninguém “passa recibo” para esse tipo de atividade ilícita, então o fundamental é “olhar a narrativa” e “apresentar indícios fortes” que liguem o denunciado ao crime. “Não é possível que, para pegar um picareta, tenho que tirar fotografia do sujeito tirando carteira do bolso do outro. Esse tipo de prova é satânica, quase impossível.”

Janot fez um trocadilho com “prova diabólica”, termo jurídico que significa prova excessivamente difícil de ser produzida. Entretanto, a plateia reagiu a ironia: “a evidência seria satânica pela dificuldade de obtê-la ou pelo sujeito a que se refere?”, perguntou um ouvinte. Há uma chacota que associa o presidente a figura diabólica.

A jornalista da Globo News, Renata Lo Prete, brincou que Janot era o “entrevistado mais procurado da República”, no que ele rebateu, em tom descontraído: “Mas sem tornozeleira [eletrônica]”.

Janot sofreu algumas derrotas simbólicas nesta semana, com a escolha de Raquel Dodge, vista como candidata anti-Janot, à sucessora dele na Procuradoria Geral da República, a partir de setembro; e as decisões do ministro STF, Marco Aurélio de Mello, de derrubar o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG); e do ministro do STF, Edson Fachin, de libertar Rocha Loures.

Ao ser questionado sobre a escolha de Raquel Dodge como sua sucessora na PGR, o procurador disse que a decisão do peemedebista é “legítima”. “O importante é o nome ser escolhido dentro da lista, e isso ele [Temer] fez.” Raquel ficou em segundo lugar na lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), em detrimento do mais votado, Nicolao Dino, próximo a Janot.

Quanto às decisões do STF, Janot limitou-se a dizer que faz parte do processo. E sobre a polêmica imunidade dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, o procurador foi enfático: faria tudo de novo. “Se você me perguntar se eu faria de novo, hoje afirmo tranquilamente que faria.”

* Com agências