Temer sai e Maia entra no seu lugar por uma semana (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Temer sai e Maia entra no seu lugar por uma semana (Foto: Marcos Corrêa/PR)

* Atualizado às 21h20

Em meio à crise política, o presidente Michel Temer (PMDB) passará uma semana em agenda no exterior. O peemedebista embarca, nesta segunda-feira (19), para Rússia, onde cumpre agenda nos dias 20 e 21 e, de lá, segue para Noruega, nos dias 22 e 23. Neste tempo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), quase líder de governo, assume interinamente a presidência. Mas enquanto Temer aposta na agenda econômica para afastar a crise, Brasília vive a expectativa de uma semana agitada politicamente.

Em Moscou, Temer participa de reunião com investidores russos e apresentará o Projeto Crescer – programa de parceria de investimento em infraestrutura. Segundo o Planalto, há interesse de investidores russos na área de petróleo e gás, além de possibilidades em setores como ferrovias e portos.

O presidente se encontra com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, com a presidente do Conselho da Federação, Valentina Matvienko, e com o presidente da Duma de Estado, Vyacheslav Volodin. Está prevista também assinaturas de instrumentos bilaterais em temas como promoção de comércio e investimentos, intercâmbio cultural e consultas políticas.

Já em Oslo, Temer vai se reunir com investidores noruegueses para mostrar as oportunidades abertas pelas reformas em curso no País. A Noruega já é atualmente o oitavo maior investidor estrangeiro no Brasil, com forte presença no setor de energia. Ele vai se encontrar também com o Rei Harald V, com a primeira-ministra Erna Solberg e com o presidente do Parlamento, Olemic Thommessen.

Nem mesmo a ausência poderá ser o suficiente para acalmar momentaneamente os ânimos em Brasília. Há a expectativa que nos próximos dias o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, possa oferecer denúncia criminal contra o presidente. “Os fatos não dependem dele (de Temer) mais. A parte dele está sendo feita trabalhando por uma pauta econômica para o País”, avalia o deputado federal Fernando Monteiro (PP-PE), confiante que a denúncia será barrada na Câmara dos Deputados com folga.

O interino Maia é um dos articuladores de Temer no Câmara. A princípio, o peemedebista possui base para barrar o processo ainda na Casa e os aliados planejam esvaziar a sessão. Uma forma dos parlamentares não colocarem as digitais na absolvição. São necessários 172 votos e ausências contam a favor do presidente. “Temer se confia numa maioria parlamentar volátil”, pontua o deputado federal Tadeu Alencar (PSB-PE).

O peemedebista teve um sábado (18) turbulento, após a entrevista do empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, que o acusou de ser “chefe da maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil”. Em nota, Temer rebateu o empresário, chamando-o de “bandido notório” e informando que irá processá-lo. Novos fatos podem vir à tona e uma nova reunião da Executiva nacional está na pauta.

Mas este não é o único problema que o presidente enfrenta. Ele precisa acalmar o ânimo de correligionários que reclamam por mais espaço na Esplanada dos Ministérios, após o deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR) recusar o Ministério da Transparência, ao ser rifado da pasta de Justiça e Segurança Pública para dar lugar a Torquato Jardim. A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) recusou assumir a pasta de Cultura. Ambas estão vagas até o momento e parte do seu partido incomodado.

O PSDB, principal fiador do governo, disse que ficaria na base aliada até novo episódio. Este fato já aconteceu e o tucanato fingiu que não viu. Especializou-se em ficar em cima do muro e esta posição tem incomodado muitas lideranças e parlamentares tucanos. Em suma, o apoio do partido não é algo estável ou imutável.

Com Temer no Brasil ou fora, essa semana pode proporcionar fortes emoções.

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